ABRIGOS & INSTITUIÇÕES & LARES
O Ministério das Escadas nasceu em 2003 a partir do encontro de cinco mulheres que se conheceram no ambiente de trabalho e compartilhavam a fé no Evangelho e um olhar sensível para as dores do mundo. Durante conversas no horário de almoço, surgiu naturalmente o hábito de muitas pessoas e perceberam como a falta de identidade, de acolhimento e de amor pode comprometer toda uma vida.
A partir desse chamado e ainda experimentando os públicos, o ministério passou a receber convites para atuar em diferentes tipos de instituições. Entre 2010 e 2017, vivemos experiências em casas de recuperação para pessoas em situação de dependência química, tanto femininas quanto masculinas, além de abrigos da Prefeitura de São Paulo para crianças, adolescentes e famílias. Também visitamos Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (SAICA) e casas de longa permanência para idosos e pessoas com necessidades especiais.
Durante essa jornada conhecemos lugares marcantes, como a Casa Vida Divina, na zona leste de SP, que oferece hospedagem e apoio para crianças em tratamento de câncer vindas de outras cidades, acompanhadas por seus familiares.
Visitamos também a COTIC, na zona norte de SP, instituição que acolhe crianças com necessidades especiais, muitas delas abandonadas logo após o nascimento.
Outro local foi o abrigo Mensageiros, região central de SP, que acolhe crianças retiradas de suas famílias pelo Conselho Tutelar devido a situações de negligência ou maus-tratos.
Conhecemos ainda o abrigo Família em Foco, zona leste de SP, que recebia pais e filhos em situação de rua, oferecendo estrutura e apoio para que pudessem reorganizar suas vidas e reconstruir suas histórias.
Para esses públicos, realizávamos diversas ações, como atividades culturais, iniciativas de autocuidado e saúde, rodas de conversa com apoio psicológico e espiritual, passeios e também a organização de doações de itens essenciais — alimentos, produtos de higiene pessoal, roupas e brinquedos.
Também colaboramos com os projetos Missão Cena em Santo André-SP e Desafio Peniel, em Piracaia-SP, que desenvolvem trabalhos de recuperação e reinserção social para pessoas em situação de dependência química. O Ministério das Escadas contribuía com apoio espiritual e doações de alimentos e roupas.
Em outra ocasião, visitamos o antigo leprosário em Itu-SP, conhecido como Asilo Colônia de Pirapitingui (atualmente Hospital Dr. Francisco Ribeiro Arantes). O local foi criado na década de 1930 para a internação compulsória de pessoas com hanseníase e funcionava como uma pequena vila autossuficiente, com ruas, igrejas e hospital próprios. Pessoas com a doença eram enviadas para lá de diversas partes do estado de São Paulo.
Hoje, ainda existem moradores na antiga vila. Durante nossa visita, estivemos com pacientes internados no hospital e também com alguns moradores, oferecendo acolhimento, apoio espiritual e doações de itens de higiene pessoal.
Entre todos os projetos, um dos mais duradouros e organizados foi a parceria com a casa de longa permanência Recanto dos Avós, localizada em Mairiporã. Iniciamos as visitas no final de 2011 e permanecemos até 2016.
Nesse período, formamos uma rede de mais de 100 voluntários, que mantinham uma agenda de visitas bimestrais aos moradores da casa. Durante esses encontros, além da escuta ativa individual, eram oferecidas atividades de música e dança, serviços de manicure e podologia, massagens e outros cuidados voltados ao bem-estar e à valorização da vida.
Essa rede de voluntários também possibilitou um fluxo contínuo de doações para a instituição, contribuindo para a aquisição de móveis e utensílios, além de reformas no imóvel e a construção de novas alas.
Quando encerramos oficialmente as visitas, deixamos no local um grupo de voluntários responsáveis por dar continuidade ao trabalho.
Em cada um desses lugares, tivemos o privilégio de conhecer pessoas e histórias profundamente marcantes. Algumas foram duramente atingidas pelas circunstâncias da vida; outras sequer tiveram a oportunidade de escolher um caminho diferente.
A todas elas procuramos oferecer o nosso maior legado: o amor de Deus.
Por meio do acolhimento, das conversas em torno de mesas de café e da presença genuína, vivemos a essência do nosso chamado. Sabemos que marcamos a vida dessas pessoas — mas temos a certeza de que elas marcaram profundamente a nossa também.






























